sábado, 7 de dezembro de 2013

Cuidados Paliativos: A médica que prescreve poesia na lida diária com a morte.

Texto de Paulo Hebmüller, do Jornal da USP, especial para o USP Online.


“Medicina é simples, difícil é psicologia.”
Ana Claudia Quintana Arantes






Médica lança livro de poesias e conta
experiência profissional e afetiva com pacientes terminais |
Foto: Hospital Albert Einstein
Um paciente alcoólatra, vítima de cirrose e câncer, com a barriga inchada pela doença e a pele tão amarelada a ponto de a estudante de Medicina que foi visitá-lo fazer a comparação com a cor de um canário. Muitos anos depois, ainda é no seu Antônio, o paciente que lhe coube entrevistar no Hospital Universitário (HU) da USP, que a médica Ana Claudia Quintana Arantes identifica o ponto de partida para sua trajetória na área de cuidados paliativos – uma disciplina pouco difundida e que continua cercada por preconceitos no Brasil.

Angustiada porque seu Antônio não conseguia contar sua história – as dores eram grandes demais –, a então terceiranista da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) procurou o professor para saber se havia algum remédio que pudesse aliviá-lo. “Ele fez uma cara de irritado e disse: ‘Eu já tinha dito que era um paciente terminal. Você sabe o que é um paciente terminal?’ Eu disse que sim, mas que ele estava com dor. Aí o professor falou que não tinha nada para fazer”, conta Ana Claudia. “‘Não? Ele está morrendo de dor. Não tem nada para aliviar a dor agora?’ Aí ele respondeu que não, que se eu desse o remédio para dor o fígado não aguentaria. Eu perguntei: ‘Mas você não está me dizendo que não tem mais jeito? Que diferença faz salvar o fígado dele porque não demos analgésico?’ Bom, tomei uma baita de uma cravada…”

“Cuidados paliativos não são abandono; pelo contrário, nós dobramos a escala do paciente.”

É com base em histórias como essa que a médica acredita que sua opção pelos cuidados paliativos “veio pela dor”. Aliás, diz, “a maior parte dos profissionais que trabalham com isso deve a escolha à vivência de uma situação difícil”. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os cuidados paliativos são uma abordagem que melhora a qualidade de vida do paciente e de sua família em caso de doenças que ameacem a continuidade da vida. Eles incluem a avaliação e o controle de forma impecável não somente da dor, mas de todos os sintomas de natureza física, social, emocional e espiritual.

“Todos são portadores de felicidade. Uma pena notar que boa parte da humanidade ainda é assintomática.”

Em outras palavras, os cuidados paliativos focam o conforto e o bem-estar do paciente e dos familiares quando se sabe que a doença não responde mais aos tratamentos convencionais e levará ao desfecho inevitável. Eles representam o contrário da obstinação terapêutica, em que todos os recursos tecnológicos são utilizados para manter a sobrevida – num quadro que, não raro, se traduz numa pessoa inconsciente cujas funções orgânicas só se sustentam porque ligadas a aparelhos. É por essa razão que profissionais de várias correntes defendem que a obstinação terapêutica – ou distanásia – nada tem a ver com prolongamento da vida, mas sim com mero adiamento artificial da morte, causando ainda mais sofrimento ao paciente e à família.

Enquanto nos Estados Unidos existem mais de dois mil programas de cuidados paliativos, no Brasil eles são pouco mais de 30. É bom, entretanto, não confundi-los com as estratégias de “humanização” apregoadas pelos grandes hospitais, alerta a médica. “Humanização é aparência, uma coisa ligada ao discurso corporativo. Os cuidados paliativos trazem humanidade”, defende. “Não se pode pensar num profissional da área que não seja uma pessoa muito boa no que faz. Tem que buscar o melhor em termos de formação, de conhecimento técnico e de atualização, mas tem que ter o coração envolvido.”

“O estado de amorosidade do ser humano deveria se tornar algo como a temperatura ou o pH do sangue: perene, necessário ao bom funcionamento de todos os nossos sistemas, internos e externos.”

Ana Claudia vai lançando suas sementes para tentar envolver mais corações. Formada em 1993, fez residência em Geriatria e Gerontologia no Hospital das Clínicas da FMUSP, pós-graduação em Intervenções em Luto pelo Instituto 4 Estações de Psicologia e especialização em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Em 2007, criou em São Paulo, ao lado de três colegas, a Casa do Cuidar, organização voltada para a prática e ensino de cuidados paliativos. “Está cheio de gente morrendo mal”, justifica, e avisa: “quando chegar a minha vez, quero alguém que me cuide direito, porque eu vou dar trabalho”.

Foto: Divulgação
Trabalho, por sinal, é o que não falta a esta leonina de 43 anos que se realimenta lendo e escrevendo. Seu blog prescreverpoesia.blogspot é a origem do livro de poemas Linhas Pares (Scortecci Editora, 2012), que Ana lança no próximo sábado, (12) de maio, a partir das 15 horas, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, São Paulo).

O volume, ela assina como Claudia Quintana – poeta “tão mais doce e feliz do que a doutora Ana” –, numa apropriada coincidência de sobrenome com Mario Quintana, um de seus autores preferidos.

Os muitos ensinamentos a respeito da vida que os anos de trabalho intenso com pessoas tão próximas da morte lhe trouxeram são um dos temas da entrevista com a médica poeta, que você lê na entrevista completa (em PDF).



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Fontes:

Matéria publicada em USP Brasil: A médica que prescreve poesia na lida diária com a morte.
Editoria: Ex-alunos, Gente da USP, Perfil, USP Online Destaque | Autor: Redação | Data:9 de maio de 2012.

Vídeo divulgado por Conti Outra, Artes e Afins.



Respiração adequada durante a atividade física


Todo mundo sabe que respirar pelo nariz geralmente é melhor porque o ar entra quente e úmido no pulmão, além de ser filtrado pelos cílios das narinas.

No entanto, durante a atividade física, o corpo precisa de uma ventilação maior, especialmente nos exercícios mais intensos e, por isso, a respiração precisa ser adequada, como explicaram o médico do esporte Gustavo Magliocca e o fisiologista do exercício Paulo Correia.

Como a necessidade de ventilação é maior durante o movimento, muitas vezes o nariz não é capaz de atendê-la sozinho - por isso, muita gente costuma abrir a boca para respirar e, de acordo com os médicos, isso é normal e não chega a trazer problema. Inclusive, a respiração também pela boca ao se exercitar é essencial para garantir conforto durante a atividade. Caso a pessoa não respire do jeito certo na hora do exercício, ela pode começar a sentir dor ou desconforto.

Na musculação, por exemplo, o correto é expirar no momento do esforço e inspirar no retorno, como explicou o fisiologista do exercício Paulo Correia.

Quando a pessoa expira, os músculos abdominais se contraem e garantem maior sustentação do corpo para a realização do movimento. Nesse caso, respirar do jeito errado ou ao contrário pode provocar dor e desconforto, além de desperdiçar o exercício.


Clique na imagem para ampliá-la.

Já na corrida não existe uma regra para respirar. Muitas pessoas acreditam que é preciso inspirar pelo nariz e soltar pela boca, mas na verdade, isso varia de acordo com o ritmo do exercício.

No começo, por exemplo, a pessoa pode até conseguir respirar dessa maneira, mas quando o tempo passa, mesmo correndo na mesma velocidade, a intensidade do movimento aumenta e o corpo pede mais ventilação – nessa hora, a respiração pela boca se torna fundamental. Ficar preso a um modelo de respirar pode causar uma falta de coordenação e causar aquela dor lateral que muita gente reclama, além de cansar mais rápido.

Essa dor, segundo o médico do esporte Gustavo Magliocca, é provocada por uma espécie de câimbra do diafragma, causada pela maneira inadequada de respirar. Além de ficar preso a um modelo só respiração, outra causa dessa dor é conversar durante o exercício. Por isso, para evitar essa dor, a dica é não conversar e respeitar a necessidade do corpo.

Algumas pessoas costumam ainda usar expansores nasais, que são aqueles adesivos colados no nariz.

Segundo o fisiologista do exercício Paulo Correia, esses expansores facilitam a entrada de ar durante o exercício, o que aumenta o conforto na hora de se exercitar. Mas o especialista alerta que eles não melhoram o desempenho na corrida, apenas tornam mais fácil a execução da atividade.

Como queimar mais calorias na corrida?

Muita gente gosta de correr, mas não sabe a velocidade certa para perder peso. Um teste chamado de ergoespirométrico é capaz de avaliar o consumo de oxigênio no exercício, como mostrou a reportagem da Daiana Garbin. O ideal, para perder gordura, é estar em um ritmo acima de 65% do consumo máximo de oxigênio e, através do teste, é possível saber qual a velocidade na esteira que atinge esse percentual.

Segundo o médico do esporte Gustavo Magliocca, quando a pessoa caminha ou corre em uma mesma velocidade, ela perde uma quantidade de calorias.

Porém, se ela alterna a velocidade e eleva os batimentos cardíacos em picos, ocorre um consumo maior de oxigênio não só durante, mas horas após o exercício, o que faz o metabolismo permanecer acelerado por mais tempo e, consequentemente, ajuda a queimar mais calorias por mais tempo. Por isso, dar alguns tiros durante a corrida ajuda a emagrecer mais rápido, como mostrou o especialista.

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Matéria publicada em: G1 - Bem-Estar


E quem, afinal, é perfeito?


Que padrões de beleza são esses que ignoram a beleza da diversidade? E quem, afinal, é perfeito? 

São perguntas como essa que a Pro Infirmis, uma organização dedicada às pessoas com deficiência, quis responder com essa ação idealizada pela Jung Von Matt/Limmat. Em uma iniciativa que lembra a premiada campanha Real Beauty, de Dove, a agência suíça pediu a um designer que refizesse alguns manequins para que eles ficassem iguais aos corpos de pessoas com deficiência.

Esses novos manequins foram expostos nas vitrines de lojas famosas de Zurich, chamando a atenção de quem passava na calçada. Uma ação para aplaudir de pé – confira no vídeo.








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Fonte: Blue Bus
Sugestão de Liliane Almeida.

Saiba o que as mudanças drásticas de temperatura fazem com seu corpo

Cardíacos, alérgicos, idosos e crianças são os mais vulneráveis aos efeitos do tempo.

(Texto de Flávia Duarte - Revista do CB.)

Nesta época do ano, é rotina sair de casa com uma roupa leve, mas sem cometer o desatino de não ter à mão um casaco e um guarda-chuva para a mudança de tempo ao longo do dia. Muitas vezes, a variação climática traz o frio, o calor, além da umidade da chuva, em poucas horas. A instabilidade do clima é sentida pelo organismo, que a cada hora faz um esforço diferente para manter a temperatura interna ideal.

Os sistemas respiratório e cardiovascular são os mais exigidos na virada brusca de estação e deixam mais vulneráveis os alérgicos e os que sofrem do coração. “As quedas bruscas de temperatura geralmente funcionam como irritantes das vias aéreas, embora tenhamos como função das cavidades nasais o aquecimento e a umidificação do ar. Essa irritação pode levar à quebra das defesas locais, facilitando principalmente as infecções respiratórias”, alerta o pneumologista João Daniel Bringel, do Hospital Santa Helena.

Veja o que acontece:
(>> Imagem Ampliada <<)



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Fonte: Site UAI - Saúde Plena - Publicação:07/12/2013 11:00Atualização:06/12/2013 16:49

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Asma: Características, Diagnóstico, Tratamento.




A asma afeta cerca de 10% da população brasileira, sendo que internações por asma ainda são a 4ª maior causa de hospitalização pelo Sistema Único de Saúde. É mais comum entre jovens do que em idosos. Costuma começar mais cedo nos meninos, mas ser mais grave em mulheres. Em adultos, a prevalência é similar entre homens e mulheres.

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias que causa redução ou obstrução recorrente no fluxo de ar. Esta obstrução por estreitamento de vias aéreas é geralmente reversível, porém o agravamento da inflamação pode tornar este estreitamento irreversível.

A causa está relacionada a interação entre fatores genéticos e ambientais, e a doença se manifesta como uma crise de dispnéia (dificuldade para respirar) devido ao edema da mucosa dos bronquíolos, produção de muco nas vias aéreas e a contração da musculatura lisa das vias aéreas (broncoespasmo), tosse e sibilos ("chiado). Sintomas aparecem de forma cíclica, em qualquer hora do dia, mas costumam ser piores à noite. 

As características dessa doença incluem a presença de células inflamatórias nas vias aéreas, exsudato de plasma, edema, hipertrofia muscular, bolhas de muco e descamação do epitélio.


Ataque de asma 


Diagnóstico

O diagnóstico é feito baseado nos sinais e sintomas que surgem de maneira repetida e que são referidos pelo paciente.

No exame físico, poderá ser constatada a sibilância nos pulmões, principalmente nas exacerbações da doença. Contudo, nem toda sibilância é devido à asma, podendo também ser causada por outras doenças. Nos indivíduos que estão fora de crise, o exame físico poderá ser completamente normal.

Existem exames complementares que podem auxiliar, dentre eles estão: a radiografia do tórax, exames de sangue e de pele (para constatar se o paciente é alérgico), a espirometria, que identifica e quantifica a obstrução ao fluxo de ar, e o teste de bronco provocação com substâncias pró-inflamatórias, como a histamina e a metacolina. 

O asmático também poderá ter em casa um aparelho que mede o pico de fluxo de ar, importante para monitorar o curso da doença. Nas exacerbações da asma, o pico de fluxo se reduz.

O exame "gold standard" para o diagnóstico da asma é a análise dos valores de Óxido Nítrico exalados. O Óxido Nítrico é um marcador direto da inflamação e através da sua concentração em ppb (partes por bilião) podemos inferir diretamente a gravidade do episódio.

A análise do FENO (Fracção do oxido nítrico exalado) permite não apenas o diagnóstico da asma, mas também avaliar a resposta ao tratamento e o seu cumprimento, avaliar a resistência a esteroides, otimizar a dose terapêutica, efetuar uma retirada segura da terapêutica inalável e aumentar a eficiência econômica no tratamento e diagnóstico da asma.

A execução deste exame não é tão dependente da colaboração do paciente como a espirometria. É um exame fácil, fiável, seguro, sensível e pode ser usado mais de uma vez.

É importante que seja feita a distinção entre a asma e a DPOC, mesmo em pacientes mais velhos, pois o controle de cada doença contempla diferentes estratégias. A DPOC é confirmada por meio de um teste de diagnóstico simples chamado "espirometria", que mede a quantidade de ar (volume) que uma pessoa pode inspirar e expirar e a rapidez com a qual o ar circular para dentro e fora do pulmão.

Um medidor do ápice do fluxo expiratório serve para diagnosticar a asma e verificar se está diminuindo ou aumentando.









Classificação

De acordo com os padrões das crises e testes, a asma pode ser classificada em:

Asma Intermitente:

Sintomas menos de uma vez por semana;
Crises de curta duração (leves);
Sintomas noturnos esporádicos (não mais do que duas vezes ao mês);
Provas de função pulmonar normal no período entre as crises.

Asma Persistente Leve:

Presença de sintomas pelo menos uma vez por semana, porém, menos de uma vez ao dia;
Presença de sintomas noturnos mais de duas vezes ao mês,porém, menos de uma vez por semana;
Provas de função pulmonar normal no período entre as crises.

Asma Persistente Moderada:

Sintomas diários;
Crises afetam as atividades diárias e o sono;
Presença de sintomas durante o sono pelo menos uma vez por semana;
Provas de função pulmonar: pico do fluxo expiratório (PFE) ou volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF¹) >60% e < 80% do esperado.

Asma Persistente Grave:

Sintomas diários;
Crises frequentes;
Sintomas noturnos frequentes;
Provas de função pulmonar: pico do fluxo expiratório (PFE) ou volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF¹) > 60% do esperado.


Tratamento

Para se tratar a asma, a pessoa deve ter certos cuidados com o ambiente, principalmente na sua casa e no trabalho, além de usar medicações e manter consultas médicas regulares. Técnicas fisioterapêuticas se mostram bastante eficientes. Os medicamentos podem ser divididos em duas classes: de alívio e de manutenção.


Broncodilatadores

Os broncodilatadores são utilizados principalmente como medicações de alívio para cortar uma crise de asma.

É um medicamento, como o próprio nome diz, que dilata os brônquios (vias aéreas) quando o asmático está com falta de ar, chiado no peito ou crise de tosse. Existem broncodilatadores chamados beta-2 agonistas - uns apresentam efeito curto e outros efeito prolongado (que dura até 12h). Os de efeito curto costumam ser utilizados conforme a necessidade. Se a pessoa está bem, sem sintomas, não precisará utilizá-los. Já aqueles de efeito prolongado costumam ser utilizados continuamente, a cada 12 horas, e são indicados para casos específicos de asma. Além dos beta2-agonistas, outros broncodilatadores, como teofilinas e anticolinérgicos, podem ser usados.

Um inalador típico, broncodilatador.
Anti-inflamatórios

Utilizados principalmente para evitar e prevenir crises (manutenção), os corticóides inalatórios são, atualmente, a melhor conduta para combater a inflamação, sendo utilizados em quase todos os asmáticos. 

Só não são comumente usados pelos pacientes com asma leve intermitente (que têm sintomas esporádicos). Tais medicamentos têm o intuito de prevenir as exacerbações da doença ou, pelo menos, minimizá-las e aumentar o tempo livre da doença entre uma crise e outra. Normalmente são utilizados de maneira contínua (todos os dias), já que combatem a inflamação crônica da mucosa brônquica, que é o substrato para os acontecimentos subsequentes.

Existem outras possibilidades de tratamento, como o cromoglicato de sódio (bastante utilizado em crianças pequenas), o nedocromil, o cetotifeno e os antileucotrienos. Este último é relativamente novo e pode ser usado em casos específicos de asma ou associado aos corticóides.

Tanto os broncodilatadores quanto os anti-inflamatórios podem ser usados de várias formas:

-Nebulização;
-Nebulímetro ("spray" ou "bombinha");
-Inaladores de pó seco (através de turbuhaler, rotahaler, diskhaler ou cápsulas para inalação);
-Comprimido;
-Xarope.

Os médicos geralmente dão preferência ao uso das medicações por nebulização, nebulímetro ou inaladores de pó seco por serem mais eficazes e causarem menos efeitos indesejáveis.

Psicológico

Como emoções mudam a frequência respiratória, endócrina e cardíaca, diferentes tipos de respostas emocionais negativas, especialmente tristeza e ansiedade intensa associadas a experiências de vida estressantes, podem desencadear respostas colinérgicas que contribuem para a broncoconstrição e consequentemente com a exacerbações da asma.

Períodos de grande estresse aumentam as chances de crises agudas.

Fisioterapia

Os procedimentos executados contribuem para melhorar a ventilação, auxiliar no relaxamento da musculatura respiratória, higienizar a via aérea hipersecretiva, além de prevenir a busca por serviços de emergência e hospitalizações, melhorar a condição física e aprimorar a qualidade de vida dos indivíduos acometidos.

Em crianças

Nas crianças, o tratamento são trabalhos de exercícios respiratórios reexpansivos passivos, através de manobras de desobstrução brônquica, drenagem postural e inalações, com estímulo de tosse se necessário. Crianças com boa capacidade colaborativa e coordenação desenvolvida podem se beneficiar de técnicas de treino de padrão ventilatório.

Em adultos

Em adultos, o tratamento enfatiza os alongamentos globais, exercícios aeróbios, exercícios respiratórios reexpansivos, acompanhamento da evolução do fluxo respiratório e acompanhamento dos exercícios com uso de oxímetro, se necessário. Em alguns casos é necessário um trabalho de higiene brônquica, associada à aspiração de secreção brônquica (catarro), comum em pacientes infectados. Quando a hiperinsuflação pulmonar está presente, são utilizadas técnicas de desinsuflação pulmonar visando aumentar o volume de ar corrente.

Em estágios mais avançados do tratamento, é necessário o uso de incentivadores respiratórios, respiradores mecânicos não-invasivos, onde o paciente apresenta certa estabilidade do quadro, visando o condicionamento físico aliado à resistência pulmonar vitais para a diminuição das crises asmáticas. Exercícios posturais para relaxamento, mobilidade, alongamento e fortalecimento também são fundamentais para corrigir deformidades torácicas e posturais, comuns nos casos de doença avançada e com crises frequentes.
Tratamento das crises/exacerbações.

O doente asmático deve saber distinguir a medicação de manutenção da medicação a usar nas crises graves e situações de emergência. Deve ter-se em atenção que muitas vezes as embalagens podem ser iguais e que nem sempre se trata de seguir as cores, isto é, a embalagem vermelha nem sempre é para as crises e a verde nem sempre é para a manutenção; depende da marca comercial.

No tratamento dos ataques graves usam-se normalmente:

Corticosteróides (particularmente os de administração por via sistémica)
Agonistas adrenérgicos beta-2 inalados (salbutamol, terbutalina e fenoterol por exemplo)
Anticolinérgicos (Brometo de Ipratrópio ou de Tiotrópio)

Prevenção

Não há como prevenir a existência da doença, mas sim as suas exacerbações e seus sintomas diários. O médico responsável poderá prescrever corticosteróides, beta2-agonistas de longa duração e os antileucotrienos. 

Um bom controle ambiental, evitando exposição aos catalisadores da crise asmática, e o acompanhamento fisioterapêutico são outros métodos de prevenção.


Fatores de risco e prognóstico

O prognóstico para asmáticos é bom, especialmente para crianças com a doença . Para os asmáticos diagnosticados durante a infância, 54% não irão ter mais o diagnóstico após uma década. A extensão do dano permanente ao pulmão em asmáticos ainda não é clara.

Alguns dos fatores de risco potencial no prognóstico da asma brônquica são a hiper-reatividade das vias aéreas, alergia atópica, infecções respiratórias, tabagismo, condições climáticas e o início da doença em idade precoce. Já como fatores precipitantes e agravantes incluem-se os alergênios (pelos de animais, fungos, pólens, insetos, etc), irritantes (tintas, aerossóis, perfumes, produtos químicos, fumaça de cigarro, etc), condições climáticas desfavoráveis (poluição, ar frio, etc), infecções (geralmente as virais), exercícios físicos, fatores emocionais, refluxo gastroesofágico, fatores endocrinológicos e a hipersensibilidade não alérgica a fármacos e produtos químicos.

Pesquisadores do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) estão desenvolvendo um método de diagnóstico e de tratamento para ajudar na qualidade de vida de pessoas que sofrem de asma. A intenção é que essa nova forma de avaliação das condições do paciente possibilite a prática de atividades físicas com segurança.



Os pesquisadores de São Carlos (SP) buscam determinar qual melhor exercício para cada paciente com a doença. Eles estão desenvolvendo um método para identificar crises de forma mais rápida e barata durante determinadas atividades físicas, utilizando a ajuda de um equipamento portátil para se fazer o diagnóstico. No método atual são necessários uma esteira, vários equipamentos para verificar o fôlego do paciente antes e depois do exercício e uma equipe grande de profissionais.

Pessoas com esse tipo de problema evitam exercícios, mas eles são essenciais para a saúde. O fisioterapeuta Vinicius Minatel relata que por vezes deixa as atividades físicas de lado: “Comecei a ter recorrentes crises de asma no ano. E sempre tem alguém que fala para fazer natação porque natação é bom, ou fazer caminhada, mas a gente sabe que não é bem assim”.

De acordo com a pesquisadora da UFSCar, Adriana Sanches Garcia de Araujo, quem tem crises não consegue realizar as atividades físicas: “É importante dizer que os exercícios melhoram a capacidade pulmonar e com o tempo a pessoa tem as crises reduzidas, mas isso tem que ser programado e acompanhado“.

A voluntária Ivana Gonçalves Labadessa sentiu melhoras com o tratamento: “A intensidade dos exercícios vai aumentando aos poucos e eu já sei quais são os meus limites. Se eu estiver condicionada, sinto a diferença. As minhas crises de asmas ficam bastante espaçadas e não tenho desconforto respiratório”.

A pesquisadora Adriana disse que, com o equipamento, consegue reduzir as crises, detectar e evitar uma crise mais grave. Além disso, o método barateia os custos dos testes, facilita no diagnóstico preciso e possibilita encontrar o melhor exercício e a intensidade adequada para cada pessoas.

Segundo a pneumologista Fabíola Paula Galhardo Rizzatt, “uma criança tosse bastante após alguma brincadeira com atividade física intensa, não consegue correr tanto quanto seus amigos, pára no meio das atividades com tosse, tosse no período noturno, pode estar com asma”.

Os interessados podem ser voluntários da pesquisa e participar dos testes. É preciso ter entre 18 e 45 anos e entrar em contato com o Departamento de Fisioterapia da UFSCar pelo telefone (16) 3551-8343.


Fontes:



Sites sobre o tema:


sábado, 23 de novembro de 2013

Acessibilidade para Surdos (*)

Texto de Carolina Fomin (**)


(Vídeo: Love Language - Legendado em Português)

A maior dificuldade que os surdos encontram é a comunicacional. Os surdos do nosso país têm sua língua materna, a LIBRAS, mas poucas pessoas sabem esta língua! Para entender melhor a dificuldade que os surdos enfrentam, imagine-se visitando um país onde você não conhece a língua e não consegue se comunicar. É assim que os surdos se sentem, mas com uma diferença: eles estão no seu próprio país.

Dentre os surdos, existem aqueles que se comunicam através da língua de sinais e aqueles que são oralizados, ou seja, se comunicam através da fala oral e da leitura labial/facial. E existem ainda aqueles que são bimodais, que se comunicam das duas formas, dominando o Português e a Libras.




Hoje vamos dedicar este post a você que se interessa por saber um pouco mais sobre a Língua Brasileira de Sinais.

Quando o assunto é LIBRAS, muitas pessoas me perguntam: A Libras é uma Linguagem Universal?

Bom, para começar a entender, devo dizer que LIBRAS ou LSB é uma sigla para "Língua Brasileira de Sinais", ou Língua de Sinais Brasileira. Então, se prestarmos atenção ao nome, perceberemos que:

1⁰ - NÃO é linguagem, é uma LÍNGUA.
2⁰ - NÃO é universal, é BRASILEIRA!

Deixe-me explicar melhor…

1⁰. Existe uma diferença entre “linguagem” e “língua”. Muita gente confunde por achar que é uma linguagem e pensam que os sinais são gestos ou mímicas sem estrutura nenhuma, mas a Libras é uma língua com gramática própria, inclusive tem uma estrutura de frase própria e diferente da estrutura gramatical do Português.

As línguas de sinais são diferentes das línguas orais porque são visual-espaciais e não oral-auditivas. Os sinais articulam-se espacialmente e são percebidos visualmente.

Os surdos que se utilizam da Libras ouvem com os olhos e falam com as mãos! Diferente do Braille, que é um sistema de leitura com o tato, onde cada conjunto de pontos corresponde a uma letra ou número e, para escrever uma palavra, escreve-se letra por letra acompanhando, no caso, o Português.

Já a Libras tem toda uma estrutura gramatical própria, não se faz tudo letra por letra. Existe sim o alfabeto em Libras, e muitas pessoas já tiveram contato com ele, ou quando eram crianças que aprenderam com a música da Xuxa, “A de amor, B de baixinho…” Lembram? Ou já compraram um pacote de balas com um papelzinho impresso com os desenhos das mãozinhas do Alfabeto Manual.


Na Libras, usamos a datilologia para expressar nome de pessoas, localidades e outras palavras que não possuem um sinal específico, mas cada palavra tem um SINAL, sinal este composto por 5 parâmetros: configuração de mãos, ponto de articulação, movimento, direção e expressão facial e corporal.

Abaixo, ilustrações de alguns sinais para entender que não são feitos letra a letra:


2⁰. A Libras não é universal, ela é Brasileira. 

A Libras é a 2ª língua official do nosso país! Foi pelo decreto 5626/2005 que regulamenta a Lei n⁰. 10.436 de 24 e abril de 2002 que o governo reconheceu a Libras como língua materna da população surda do Brasil.




Da mesma forma que pessoas ouvintes de diferentes países falam línguas diferentes, pessoas surdas inseridas na cultura surda de seu país falam a língua de sinais de seu país.

Existem diversas línguas de sinais, como a Língua de Sinais Francesa, Americana, Chilena, Argentina, Inglesa e outras, sendo cada uma diferente da outra. E a língua de sinais de um país não tem necessariamente relação direta com a língua oral falada neste país.

Por exemplo: o inglês é um idioma falado em vários países como Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e Austrália, mas nem por isso todos se utilizam da mesma língua de sinais. Nos EUA e Canadá eles utilizam a ASL (American Sign Language), mas na Inglaterra, por exemplo, eles utilizam a BSL (British Sign Language) e na Austrália a Auslan (Australian Sign Language).

Uma coisa interessante é que, apesar de as línguas de sinais serem diferentes em cada país, os surdos de países diferentes se comunicam mais facilmente do que ouvintes de países diferentes.

Já conheci surdos de outros países como França, Espanha e Turquia e a comunicação foi bem mais fácil e rápida do que se fossem ouvintes e eu tivesse que falar em Francês, Espanhol (Catalão) ou Turco. Acredito que seja exatamente por ser uma língua visual e uma língua onde a expressão facial e corporal tem grande importância.

Assim como em outras línguas, existem também os regionalismos e as gírias em diferentes regiões do Brasil, às vezes havendo diferenças de sinais dependendo da região do país. No Brasil, dependendo da região, falamos mandioca, macaxeira ou aipim. Da mesma forma, na Libras existem os regionalismos, o que fortalece o sentido de língua!

Enfim, essas são apenas algumas informações básicas sobre a LIBRAS.

Mas então você pensa: só posso ser acessível se souber Libras?

Existem momentos em que não tem jeito, há mesmo a necessidade de um surdo ou um intérprete de Libras, mas por outro lado isso não é tudo!

Acessibilidade para surdos é muito mais do que isso. Vou passar aqui somente algumas coisas que podem ser feitas para uma maior acessibilidade para surdos:

  • Em espaços públicos - Sinalização adequada;
  • Sinalização deve ser clara e intuitiva, fazendo uso de pictogramas;
  • No caso de alarmes ou chamada de senhas, precisam ser também visuais ou vibratórios, não devem ser exclusivamente sonoros;
  • Fazer uso das tecnologias através de SMS, Tablets (ipad) e e-mails, por exemplo, para pedidos em farmácias, pizzarias, restaurantes e solicitação de serviços em hotéis;
  • Para filmes (inclusive nacionais) e programas de televisão, é necessária a legenda ou closed caption em tamanho de fonte adequado;
  • Para vídeos/filmes (por exemplo institucionais e informativos) é recomendado o intérprete de Libras, além da legenda;
  • Folhetos impressos escritos com a programação, instruções e regras facilitam a comunicação;
  • Informações escritas devem ser simples e claras, em português claro, sem palavras muito difíceis e, se possível, com desenhos ou fotos ilustrativas (cardápios, por exemplo);
  • Para eventos com intérprete de Libras: local adequado para colocação do intérprete, de modo que o surdo possa visualizar o intérprete e o que está acontecendo no evento.

Espero que tenha esclarecido algumas coisas sobre esta maravilhosa cultura surda e que tenha despertado em você algum interesse em aprender mais.

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* Texto disponível em Acessibilidade na Prática

** Carolina Fomin é Arquiteta e Intérprete de Libras
Twitter: @carolfomin

Ilustraçoes: Fábio Selani - surdo, ilustrador, desenhista e autodidata, extraídas da Cartilha “Classificação Indicativa na Língua Brasileira de Sinais”.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Postura errada ao dirigir pode provocar problemas na coluna (*)

Encosto do banco distante do volante, o assento longe dos pedais e os retrovisores mal posicionados são alguns erros comuns dos motoristas.

Manter o encosto do banco distante do volante, o assento longe dos pedais e os retrovisores mal posicionados são alguns erros comuns dos motoristas, que estão relacionados à má-postura e podem resultar em dores na coluna ou até complicações mais graves. De acordo com Giuliano Martins, fisioterapeuta e diretor regional da Associação Brasileira de reabilitação de Coluna (ABRColuna) e do ITC Vertebral Curitiba, a posição sentada gera mais sobrecarga na coluna lombar do que em pé. “Motoristas de ônibus geralmente ficam muito tempo ao volante e sofrem de dores lombares, sobretudo os mais obesos”, afirma.

Os principais sintomas de uma postura errada ao dirigir, segundo o especialista, são formigamento e dores que afetam outros membros, como braços e pernas. Podem também evoluir para problemas como escoliose (desvio da coluna vertebral), lombalgia (dores lombares) e cervicalgia (dores cervicais). “Uma das causas são os movimentos de torções da cervical que o motorista faz quando os espelhos retrovisores estão mal posicionados e a regulagem do volante e do banco está inadequada”, explica Martins. “Essas complicações podem ser corrigidas em estágio inicial, entretanto, podem se agravar se não forem tratadas corretamente e a postura não for corrigida. As doenças que podem ser causadas são abaulamentos e hérnias de discos”, alerta.

Segundo o especialista, mesmo depois de o paciente tratar essas doenças, é importante tomar alguns cuidados. “Deverá evitar a obesidade, manter uma atividade física regular e corrigir a postura ao dirigir, no trabalho e também nas horas de lazer.”


A postura correta

Martins dá algumas dicas sobre como manter a boa postura ao dirigir o veículo e, dessa forma, prevenir problemas na coluna.

Região lombar: deve ficar totalmente apoiada no encosto.

Cabeça: o encosto deve ser mantido na mesma altura da cabeça.

Joelhos: a distância dos pedais deve ser adequada para que os pés os alcancem, mas sem flexionar muito os joelhos, que devem ficar levemente dobrados. Os joelhos também precisam ficar alinhados com a altura dos quadris ou ligeiramente acima.

Mãos e ombros: as mãos não devem ficar muito elevadas para evitar tensão nos ombros

Costas: apoiar bem o corpo no assento e no encosto do banco, o mais próximo de um ângulo de 90 graus. O encosto precisa dar apoio completo à coluna.

Cotovelos: o encosto deve estar a uma distância do volante que permita que os cotovelos fiquem levemente flexionados, para garantir a liberdade dos movimentos.





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(*)Fonte: Exame.com
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